Declínio cognitivo no idoso

Perdas cognitivas com comprometimento da memória estão entre os problemas mais comuns trazidos pelo idoso aos consultórios médicos. Na verdade, com a idade há menor prontidão da memória, o que, muitas vezes, é confundido com perdas compatíveis com demência. Por outro lado, há aumento exponencial da incidência e prevalência dos processos demências com o envelhecimento. Em indivíduos idosos normais, há diminuição do tamanho do cérebro, reduções do numero de neurônios da área de arborização dendritica e da densidade sináptica no córtex e núcleos subcorticais, o que pode explicar as mudanças cognitivas e ser confundido com os sintomas iniciais da doença de Alzheimer.

O envelhecimento normal não altera as habilidades de linguagem, como vocabulário e processo sintático, porem, aterá a capacidade de lembrar palavras na conversação, nomear objetos e tarefas de fluência verbal, produzindo parafasias semânticas (Parafasia semântica – perturbação do processo semântico cognitivo, com provável falha no processo de seleção linguística. Ex: caneta em vez de lápis ou auscultador em vez de estetoscópio.

Parafasia fonológica – se o doente diz uma palavra que se aproxima da resposta certa mas foneticamente errada. Ex: grapis em vez de lápis.) alem de dificuldades narrativas e na compreensão da fala do interlocutor, gerando parafasias narrativas. O declínio no julgamento viso-perceptivo para estímulos espaciais e não espaciais, a partir dos 65 anos de idade, leva à maior dificuldade na orientação, mesmo em ambientes familiares, dificuldade para estimar distancias, para manipular objetos e hesitação no andar, o que são fatores de risco para quedas.

No entanto, muitos idosos apresentam alterações muito leves ou nenhuma alteração, não havendo, em muitos aspectos, diferença em relação aos indivíduos mais jovens. O declínio cognitivo dificulta as atividades de vida diária e o desempenho em teste neuropsicológico fica abaixo do padrão de desvio da média, levando-se em conta variáveis culturais e idade, sendo que essas anormalidades não devem justificar o diagnóstico de demência e outras causas físicas e psiquiátricas, como depressão, devem ser descartadas.

Em 1994 e em 2001,a Organização Mundial de Saude (OMS) e a Academia Americana de Neurologia tentam estabelecer critérios para definir um limite entre queixas de memória e declínio cognitivo, normalidade e demência mas encontram uma dificuldade de operacionalização. Diante da dificuldade de operacionalização, há variabilidade na aplicação, assim como há diferentes resultados em estudos epidemiológicos, desta feita, a prevalência de comprometimento cognitivo leve e seus subtipos variam amplamente, entre 3% e 13% de pessoas acima de 65 anos de idade, dependendo do critério utilizado e da população estudada.O velho não é um demente é um individuo que devemos respeitar, ouvir seus sábios conselhos que são nada mais que frutos de experiência de vida.

Não esqueçamos que o status atual de muitos foram erguidos e alicerçados por esses indivíduos tratados como “velho” no hoje, que na maioria das vezes seus conselhos foram e são dados sem nenhum pedido em troca eo mais importante, vindos de alguém que de tanto ver os dois lados da vida, aprendeu que ter bom senso, ser honesto sem deixar de ser intrépido é mais fácil que ser soberbo sem solidez.

Dr. Hipólito Monte

2 comentários:

    Seção Web

    Muito interessante.


    Seção Web

    Informação nunca é demais.
    Parabéns pelo excelente post.


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